Hoje não te liguei
Hoje não te falei
Porque hoje passei as minhas horas a pensar em ti
Porque hoje passei as minhas horas a digerir a tua ausência
Porque não encontrei a melhor forma de não te falar
Porque não quis ficar em silêncio suplicando a tua voz
Porque detestei a solidão
E quis saboreá-la
Porque detestei o vazio
E olhei-o nos olhos
Porque me sinto um farrapo
Porque me ergo e me afirmo
Porque faleço em cada silêncio
Porque congelo em cada vislumbre
olhar esquivo, distante…
Porque vagamente me queres
Porque ligeiramente me usas,
Porque sou
Porque sinto
Porque vivo, amo, percorro…
Marco, toco, renasço…
Hoje falei-te
Liguei-te
Falamos sobre nada
Sobre coisa nenhuma,
Sobre o que não quis
Sobre o que não senti…
Escondi a minha dor
Camuflei a minha mágoa…
E nada mudou,
Como foi menos...
A poeira que assentou
O que é que ficou…
Depois dos gritos
Da raiva espumada
Dos olhos raiados
Das veias dilatadas
Das palavras arremessadas
Facadas
A poeira assentou…
A silenciosa caminhada
As folhas secas
Sob meus pés
Estalando
O vento seco e frio
A dor da perda,
A dor da partida,
O silêncio da ausência,
A interpelação,
O diálogo inverso,
Imperceptível,
A interpretação
O filme reverso
Irreversível…
Ficou
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1 comentário:
Lindo texto! triste, ausente, feliz, só, presente, acompanhado de si mesmo, magoado.. Será que também magoa?
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