terça-feira, junho 15, 2021

Geraldina, será esse o seu nome?

Mexeu comigo, sem me tocar...

Disse as palavras certas

Sem as escutar

Testou os meus limites

Sem me forçar...

E eu só queria tê-la nos meus braços.

Ela dava, e tirava...

Aproximava-se para me chamar...

Chamava-me para me enredar...

Enredava-me para me cativar...

O que queria ela de mim?


Geraldina, será esse o seu nome?

Animou o meu dia,

Criou graça, vida, alegria,

Tão próxima, tão inacessível

Sorriso cheio de brilho

Quente e sensível...

Como se divertia com a minha atenção,

Como saboreava a minha forma de a querer...

O meu desejo de a ter...

De a poder mimar, aconchegar, acolher...

Sussurrar, desafiar...

Prometer...


... o quê?

Cantarolar o teu nome

Prometer não prometer...

Não querer ser

Nem expectar

Dar, sem cobrar

Receber, sem esperar


Querida...

Flutuei e sonhei,

E acordei...

Os meus pés, o meu peso

Pousei.

E soletrei

E cantarolei

O teu nome...

Um beijo, Geraldina,

Um beijo

terça-feira, junho 01, 2021

Areia entre os dedos

Como o futuro é incerto

E nos oferece o sabor

da plenitude a cada instante

a cada toque de veludo

que já vivemos, de amor.

Toque quente, reconfortante

onde me deixei sucumbir

Renascer...

Teu olhar

Inflamado, generoso, sublime

Sorriso doce e terno

Meigo

E um perfume envolvente

Inebriante

Sabor ardente

Contentamento descontente

Exigente, impaciente

Ansiante.

Instantes

Foram instantes,

Levitantes.

Eternos

Que renovam vida

a cada onda do mar

do seu beijo molhado

e gesto de amar

na areia que se entrega

se submete,

se molda,

e que o envolve

pelo contorno dunar.

A areia nos acolheu

nos testemunhou

em gestos e beijos

pensamentos libertos

que nos tornaram um só

Que meus dedos moldam

desenham, escrevem,

em atrevimento e saudade

"o teu nome susurrado"...

O futuro já foi

Incerto

O passado existiu

e partiu

A nossa história

O amor que vivemos

Levitou

Libertou-se

das amarras

das pesadas leis

Do Tempo.

Será eterno no meu mundo

Renovando-se a cada olhar

A cada gesto, toque

no vazio, com quem me cruzar.

A cada traço da tua beleza

que eu conseguir desvendar

no rosto de outra mulher.

Não sei se seremos eternos

Ou para sempre juntos

Não sei se serei velho

ou meus passos com os teus

Mas

Nem tempo

Nem erosão

Apagarão

A luz que me deste

O Amor que vivi.

terça-feira, fevereiro 02, 2021

Sons do Mundo

O amor foi embora para sempre

Partiu sem se despedir

Não olhou sequer para trás

Levou o que tinha trazido

Levou o que não era seu

Deixou o templo deserto

Mergulhado na música de Outono.


Por lá passa agora o Sol de fim de tarde

E o vento arrastando folhas secas

Trazem memórias de tempos passados

Promessas de amor, esquecidas

E lágrimas de amor sincero

O mundo sorri compassivo

E envolve-me nos seus braços em silêncio.


Vêm ao meu encontro sensações reconfortantes

Há muito esquecidas por mim.

Trazem vozes de terras distantes,

Murmúrios de um amor sem fim.

Horizonte preso ao meu olhar

Cantando com o coração

Parto em busca de outro lugar

Em busca de outra canção.

sexta-feira, junho 24, 2016

Estival Ausência

Hoje não te liguei
Hoje não te falei
Porque hoje passei as minhas horas a pensar em ti
Porque hoje passei as minhas horas a digerir a tua ausência
Porque não encontrei a melhor forma de não te falar
Porque não quis ficar em silêncio suplicando a tua voz
Porque detestei a solidão
E quis saboreá-la
Porque detestei o vazio
E olhei-o nos olhos
Porque me sinto um farrapo
Porque me ergo e me afirmo
Porque faleço em cada silêncio
Porque congelo em cada vislumbre
olhar esquivo, distante…
Porque vagamente me queres
Porque ligeiramente me usas,
Porque sou
Porque sinto
Porque vivo, amo, percorro…
Marco, toco, renasço…


Hoje falei-te
Liguei-te
Falamos sobre nada
Sobre coisa nenhuma,
Sobre o que não quis
Sobre o que não senti…
Escondi a minha dor
Camuflei a minha mágoa…
E nada mudou,
Como foi menos...

A poeira que assentou
O que é que ficou…
Depois dos gritos
Da raiva espumada
Dos olhos raiados
Das veias dilatadas
Das palavras arremessadas
Facadas
A poeira assentou…
A silenciosa caminhada
As folhas secas
Sob meus pés
Estalando
O vento seco e frio
A dor da perda,
A dor da partida,
O silêncio da ausência,
A interpelação,
O diálogo inverso,
Imperceptível,
A interpretação
O filme reverso
Irreversível…
Ficou

quinta-feira, junho 05, 2008

Maldito Murphy

Se houver por aí uma bala perdida ainda corro atrás dela.
A minha vontade é que o Murphy nunca tivesse existido, nunca teria inventado essas malditas leis. Leio-as uma a uma e identifico-as em tudo... Desde a genérica: "Se alguma coisa puder correr mal, correrá mal."

Até aos clássicos: "Nada é tão fácil como parece" e "Tudo leva mais tempo do que se julgava"

"Toda a solução gera novos problemas" - Absolutamente VERDADE!!!

Mas a minha preferida é "Se você se apercebe de que há quatro maneiras de uma coisa correr mal, e se ultrapassar estas quatro, uma quinta possibilidade aparecerá imediatamente."

Ai ai... Deixem-me rir!!! (como diz o grande Jorge)

terça-feira, maio 06, 2008

Passos

Ouço passos
escuto o vento
os sons de longe
cruzo-me com vultos
com sombras
em caminhos estreitos
de penumbra
calejados pelo tempo
e pelo esquecimento.
Caminho, passo a passo,
já estive mais longe...
já estive mais perto...
sorvo as energias
as imagens, as sensaçoes
adivinho as vidas
dos que antes de mim
caminharam
e adivinharam
o passado e o futuro
em flashes,
imagens imperceptiveis.
Eu vi-te
e tu viste-me
eu levo-te comigo
e tu levas-me contigo
Sem nunca nos termos visto.
Ouço passos
e estão tão perto...
...os meus passos
...o meu peso.

quinta-feira, abril 03, 2008

Manhã

Vejo o meu reflexo na caneca de café
observo-me, avalio-me...
olheiras, cansaço...
já tive mais cabelo.
espera-me mais um dia de trabalho
concentro-me, focalizo, tento visualizar
motivação, alegria no trabalho, performance...
tou esgotado, saturado
tenho cravadas nas vísceras
as palavras
os actos
as lanças...
Não choro!
Volto mais um dia
para o caos do meu mundo,
sem virar a cara
sem me esconder
vulnerável e disponível
de olhos no chão
ou não.
Sem futuro...
sem presente
sem passado.
Jogado pra canto.